Especialista orienta sobre a escolha de presentes para crianças neurodivergentes no Dia das Crianças

Em vez de focar apenas no apelo pedagógico ou na indicação de faixa etária, observar o perfil sensorial, as preferências e o modo único de brincar garante escolhas mais respeitosas e significativas.

Imagem de destaque - Especialista orienta sobre a escolha de presentes para crianças neurodivergentes no Dia das Crianças
Escolha de presentes para crianças neurodivergentes exige olhar atento sobre preferências e perfil sensorial. (Foto: pixabay).

Com a proximidade do Dia das Crianças, pais, familiares e amigos começam a buscar presentes que possam proporcionar diversão e experiências significativas. Para crianças neurodivergentes, no entanto, a escolha pode ir além da indicação de faixa etária ou da função educativa do brinquedo. Observar a própria criança, seus interesses e a maneira como ela se relaciona com o mundo pode ser um caminho mais adequado para encontrar uma opção que realmente faça sentido.

Para Franciane Heiden Rios, psicóloga, pedagoga e responsável técnica da Curiosaidade, espaço em São José dos Pinhais dedicado ao tratamento de crianças e adolescentes neurodivergentes, o primeiro passo é conhecer a criança antes de escolher o presente.

“Observar é uma das melhores ferramentas que temos. O que essa criança gosta? O que desperta a curiosidade dela? Quais experiências ela busca? O presente pode partir dessas respostas, respeitando seus gostos e suas preferências”, afirma. 

As características sensoriais também merecem atenção. Sons intensos, luzes, determinadas texturas e brinquedos com muitos estímulos simultâneos podem proporcionar experiências diferentes de acordo com cada criança. Algumas podem buscar movimento e estímulos visuais, enquanto outras podem demonstrar maior interesse por experiências táteis, repetição ou pressão.

“Por isso, não existe uma lista de brinquedos que funcione da mesma maneira para todas as crianças autistas, com TDAH ou outras condições do neurodesenvolvimento. A escolha precisa considerar a individualidade, os interesses e as necessidades de cada uma”, detalha. 

Outro ponto importante é evitar que todo presente seja pensado exclusivamente como uma ferramenta terapêutica ou pedagógica. Jogos educativos, brinquedos sensoriais e materiais que estimulam determinadas habilidades podem ser boas opções, mas o brincar também pode acontecer simplesmente pelo prazer da descoberta e da diversão.

“Nem todo brinquedo precisa ensinar alguma coisa de forma explícita. Às vezes, o melhor presente é justamente aquele que proporciona prazer, conexão, curiosidade e a possibilidade de a criança explorar do seu próprio jeito”, explica Franciane.

Essa liberdade também vale para a maneira como o brinquedo é utilizado. Uma criança pode organizar carrinhos em vez de criar uma corrida, repetir diversas vezes o mesmo movimento, observar uma peça durante longos períodos ou encontrar uma função diferente daquela imaginada pelo adulto.

“Não existe um jeito certo de brincar. Existe a experiência daquela criança. O adulto pode apresentar possibilidades, participar e ampliar a brincadeira, mas sem retirar dela o direito de explorar, repetir, descobrir e se divertir”. 

Antes de escolher o presente, conversar com os responsáveis e observar os interesses da criança pode ser mais importante do que seguir uma lista pronta. Conhecer suas preferências e considerar suas características sensoriais permite que a escolha seja mais individualizada e respeitosa.

No Dia das Crianças, o presente não precisa ser o mais caro, tecnológico ou educativo. Mais importante é que ele esteja conectado à criança que vai recebê-lo, valorizando seus interesses e respeitando sua maneira particular de brincar, descobrir e experimentar o mundo.

Previsão do tempo

Receba nossas novidades