MAC Empreendedoras reúne quase 300 mulheres em dois dias de debates sobre negócios, identidade e propósito

Encontro realizado no Castelo do Batel combinou empreendedorismo, experiências e conexões com discussões sobre emoções, relacionamentos e os diferentes papéis exercidos pelas mulheres.

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Foto: Reham Samaan

Quase 300 mulheres, dois dias e uma pergunta que vai além dos negócios: quem cuida da mulher que está por trás de tudo o que ela constrói?

Foi a partir desse olhar que empresárias e empreendedoras se reuniram no Castelo do Batel, em Curitiba, para o MAC Empreendedoras. Nos dias 23 e 24 de setembro, o encontro combinou conteúdo, experiências, gastronomia e conexões em uma programação que colocou lado a lado temas como negócios, emoções, relacionamentos, identidade e propósito.

Mais do que ocupar as cadeiras diante de um palco, as participantes foram convidadas a se movimentar, literalmente. Mudaram de mesas, conheceram novas mulheres, compartilharam histórias e abriram espaço para conversas que talvez não estivessem previstas na agenda.

E esse movimento ajuda a explicar a proposta do encontro: olhar para o negócio sem esquecer da mulher que existe por trás dele.

Quando o empreendedorismo encontra a vida real

À frente do Método MAC, Bia Machnick conduziu parte importante da programação. Entre os conteúdos apresentados por ela estiveram a tríade do método, com a gestão das emoções, a chamada “árvore relacional”, os diferentes papéis exercidos pela mulher e os dois maiores tesouros de um negócio.

Essa amplitude deu uma pista sobre a proposta do encontro: falar de empreendedorismo sem separar artificialmente a empresária da mulher que toma decisões, constrói relações e administra diferentes áreas da própria vida. Ao longo da programação, essa fronteira ficou ainda mais evidente.

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Machnick, à frente do Método Mac – Foto: Reham Samaan

Quando o palco abriu espaço para a vulnerabilidade

Um dos momentos que ajudaram a definir o tom do encontro veio com Christel Garcia, durante a conversa sobre “A importância do Perdão”.

Ao compartilhar aspectos da própria história, passando por experiências vividas ainda na infância e dentro da família, Christel levou para o palco algo que não se produz artificialmente: vulnerabilidade.

A intimidade do relato modificou também a relação com a plateia. O conteúdo deixou de ser apenas algo a ser ouvido e encontrou eco nas histórias de outras mulheres. Vieram o silêncio, a identificação e as lágrimas.

Ao final, Christel ainda levou o violino para o palco — um fechamento que prolongou, pela música, uma conversa que havia começado com palavras.

Talvez tenha sido justamente ali que uma característica do MAC tenha ficado mais evidente: para falar sobre mulheres que empreendem, seria inevitável falar também sobre aquilo que elas carregam.

Da dor à construção de uma marca

Essa perspectiva apareceu novamente com Anna Telles, responsável pela sessão “Transforme sua dor em um propósito e seu nome em uma marca”.

Ao aproximar dor, propósito e construção profissional, a palestra reforçou uma discussão que atravessou diferentes momentos do encontro: uma trajetória profissional não é construída de maneira isolada da história de quem a conduz.

Nesse contexto, posicionamento e marca deixaram de aparecer apenas como questões de visibilidade. Identidade, experiências e propósito também fizeram parte dessa conversa.

Os lugares em que uma mulher é insubstituível

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Pastora Joanna Leandro (Foto: Reham Samaan)

No segundo dia, o olhar sobre os diferentes papéis femininos ganhou ainda mais espaço.

A programação passou por temas como pertencimento e chegou à sessão “A Ordem no Lar”, conduzida pela pastora Joana Leandro.

Em uma das imagens projetadas durante a apresentação, uma frase sintetizava parte da reflexão: “Família: onde eu sou insubstituível.”

A discussão acrescentou outra camada ao encontro ao colocar em perspectiva os muitos lugares ocupados por uma mesma mulher.

Empresária, profissional, esposa, mãe, filha, amiga. Papéis que convivem algumas vezes em harmonia, outras disputando tempo, atenção e presença.

Não por acaso, uma das sessões conduzidas por Bia naquele mesmo dia tratou justamente de “A mulher em seus diversos papéis”.

Conexão como parte da experiência

Entre um conteúdo e outro, a proposta do MAC também se materializou fora do palco.

As participantes tiveram momentos de café com ilha gastronômica, conheceram marcas parceiras, participaram de sorteios e, principalmente, foram estimuladas em diferentes momentos a trocar de mesa e conversar com novas pessoas.

Era uma forma simples de romper um comportamento bastante comum em eventos: permanecer perto de quem já se conhece.

Ao provocar novos encontros, a conexão deixou de ser apenas uma possibilidade dos intervalos para se tornar parte da própria programação.

No último período do encontro, a orientação tornou-se ainda mais específica: formar dupla com alguém com quem ainda não havia acontecido uma conversa.

Networking, nesse contexto, ganhou uma dimensão menos protocolar. Não apenas trocar contatos, mas conhecer pessoas e histórias.

Do palco, uma pergunta

A condução do cerimonial dos dois dias ficou a cargo da jornalista e apresentadora Silvia Valim.

Logo na abertura, uma pergunta foi lançada pela mestra de cerimônias às participantes: “Quando foi a última vez que vocês reservaram um espaço na agenda para cuidar de quem está por trás de tudo o que vocês constroem?”

A pergunta antecedeu a programação, mas ganhou novos significados à medida que o encontro avançou.

Porque empreender exige estratégia, gestão, posicionamento, relacionamento e resultado. Mas existe uma pessoa tomando cada uma dessas decisões.

E talvez uma das imagens mais representativas dos dois dias tenha sido justamente a de mulheres que chegaram para um encontro de empreendedorismo e, entre conteúdos e experiências, também choraram, riram, ouviram histórias, compartilharam as suas e fizeram novas conexões.

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Silvia Valim, apresentadora do MAC Empreendedoras (Foto: Reham Samaan)

A programação caminhou para o encerramento com uma sessão conduzida por Bia sobre “As duas chaves para andar em propósito, ordem e leveza”.

Depois de dois dias, no entanto, parte da experiência talvez possa ser resumida por uma frase que também fez sentido durante a condução do encontro: às vezes, uma conversa que não estava na agenda é justamente aquela de que precisávamos.

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