Curitiba em modo futuro: o que o Smart City Expo revela sobre as cidades (e sobre nós)

Durante três dias, Curitiba se transformou em um ponto de encontro entre presente e futuro evidenciando a importância da formação e escolhas humanas

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Evento reúne especialistas para discutir o futuro das cidades e o papel da tecnologia Foto: Silvia Valim

A Arena da Baixada recebeu de 25 a 27 de março a 7ª edição do Smart City Expo Curitiba, já consolidado como o maior evento de cidades inteligentes das Américas. Com mais de 23 mil participantes, segundo a organização, representantes de cerca de 25 países e mais de 400 palestrantes distribuídos em diferentes trilhas temáticas, o encontro reuniu gestores públicos como prefeitos, secretários e vereadores, empresas, pesquisadores e organizações em torno de uma mesma provocação: como as cidades podem evoluir sem perder o que realmente importa?

Mais do que a estrutura ou os números, o que chama atenção é como a conversa sobre inteligência nas cidades e a preocupação com a evolução das cidades têm ganhado espaço e ficado mais madura.

Se antes o protagonismo era da tecnologia, agora ela aparece no lugar certo: como ferramenta. O foco começa a se deslocar para a experiência de quem vive a cidade no dia a dia.

Entre as palestras e discussões, uma ideia atravessa diferentes perspectivas: cidades inteligentes não são apenas as mais conectadas, mas as que fazem melhores escolhas. E isso passa por mobilidade, sustentabilidade, governança, cultura e, principalmente, pessoas.

O economista e especialista em cidades criativas, Shain Shapiro, trouxe uma provocação no segundo dia de eventos ao defender que cultura também é infraestrutura, como mostra a reportagem da prefeitura de Curitiba. Parece simples, mas muda tudo. Porque reposiciona o olhar: cidades não são apenas sistemas que funcionam, são ambientes que formam vínculos. Não à toa, a reportagem da prefeitura de Curitiba destacou que Shapiro aponta a música como estratégia de desenvolvimento urbano.

Na área de exposição, esse pensamento se traduz em prática. Mais de 120 expositores entre empresas, startups e instituições apresentaram soluções já em aplicação: uso de inteligência artificial na gestão pública, plataformas de dados para decisões mais assertivas, iniciativas de mobilidade e sustentabilidade, além de modelos de cidades como ambientes de teste, os chamados ‘living labs’.

Entre os destaques estavam soluções voltadas à digitalização de serviços públicos, monitoramento urbano em tempo real, eficiência energética e integração de dados para planejamento urbano mais inteligente.

O que se percebe é um movimento consistente: cidades estão deixando de ser apenas espaços organizados para se tornarem ambientes em constante construção.

E é nesse ponto que surge um tema menos evidente, mas decisivo: a educação.

Entre tantas tecnologias, fica claro que não existe cidade inteligente sem gente preparada para ela.

Universidades, centros de pesquisa e instituições de ensino tiveram presença ativa no evento, reforçando um ponto essencial que liga tudo: inovação urbana exige formação. Não apenas técnica, mas também crítica.

Mais do que ensinar ferramentas, o desafio passa a ser formar pessoas capazes de interpretar o mundo em transformação, lidar com dados e participar das decisões que impactam a vida coletiva.

Nesse contexto, a educação deixa de ocupar um lugar paralelo e passa a sustentar tudo o que está sendo discutido.

Curitiba, que já tem uma trajetória reconhecida em planejamento urbano, assume aqui um papel importante. Não como cidade pronta, mas como cidade que se coloca em diálogo.

Mais do que apresentar respostas, o evento cria espaço para boas perguntas.

E, no fim, é isso que move qualquer transformação real.

Porque as cidades do futuro não serão definidas apenas pela tecnologia que adotam, mas pela forma como escolhem usá-la.

E essas escolhas continuam sendo humanas.

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